25/11/2011

Trecho de "Macunaíma", de Mário de Andrade.


"No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. [...]
Já na meninice fez coisas de sarapantar. De primeiro: passou mais de seis anos não falando. Se o incitavam a falar, exclamava:-- Ai! que preguiça!. . . e não dizia mais nada.[...]
Quando era pra dormir trepava no macuru pequeninho sempre se esquecendo de mijar. Como a rede da mãe estava por debaixo do berço, o herói mijava quente na velha, espantando os mosquitos bem. Então adormecia sonhando palavras-feias, imoralidades estrambólicas e dava patadas no ar.
Nas conversas das mulheres no pino do dia o assunto era sempre as peraltagens do herói. As mulheres se riam muito simpatizadas, falando que 'espinho que pinica, de pequeno já traz ponta'."

[Deliciosamente simpático é o nosso herói sem nenhum caráter! Melhor ainda é a linguagem de Mário!]

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